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PalhAssentar a Terra

A Caravana passa pra levar a graça agora para o Assentamento Chico Castro Alves. A trupe vive histórias, recebe afetos e colhe ensinamentos. 

 

Nossa Caravana já está circulando! A indicação para chegarmos ao lugar da apresentação é a entrada do assentamento. O celular já não funciona e, como em nosso espetáculo, os palhaços estão ali perdidos, buscando um sinal para conseguir falar com o pessoal.

O sinal aparece e, assim como a agulha e a linha da Dona Creuza, começamos a bordar nosso encontro com o assentamento Chico Castro Alves.

Meu primeiro olhar se direciona a ela, Creuza Maria Lopes, alagoana de 91 anos. Ela me cumprimenta de longe e faz um gesto para que eu me aproxime. Me recebe com um abraço forte e já abre sua casa para que eu conheça sua história. Nas paredes, fotos. Uma em especial me chama atenção, uma foto antiga pintada à mão dos 10 filhos, igualzinha à que minha vó tinha na parede da sua casa. Penso em como aquela história se alinhava com a de minha família, que também cresceu na roça do Paraná. Tão distante e tão perto de mim, me envolvo nos retalhos desse povo brasileiro, que sou eu, que somos nós.

Dona Creuza exclama: – Eu ainda trabalho, venha ver os meus tesouros.

Eu, com olhos de curiosidade, descubro suas duas máquinas de costura, seus tapetes, colchas, almofadas… Dona Creuza, com suas três cirurgias de córnea, é o exemplo da luta, da força e da potência de uma mulher, mãe e trabalhadora rural. Ela é mãe de Antônio Lopes, um dos líderes responsáveis pela criação do assentamento, em 1988.

 

Entre vacas, galinhas, mandiocas, bananeiras, porcos, abacateiros, vou tecendo com a imaginação minha colcha de retalhos da história da luta por aquela terra.

Seu Antônio explica para a gente todo o processo, desde a ocupação, as promessas que fizeram para as famílias, a ambição de alguns, o descaso de outros, os remendos necessários para costurar esse assentamento.

Quando chegou vinham com ele 12 famílias. Fizeram-lhe uma proposta, de que ele tivesse a terra dele e desencanasse da terra para as outras famílias. Com olhos de quem sabe o que é lutar pelo coletivo, ele fala: – Você acha que eu deixaria o pessoal na mão? Eu coloquei todos lá e fui o último a receber meu lote.

A importância daquela fala do seu Antônio era o nozinho que a gente dá quando coloca a linha na agulha.

Não faz sentido ter tudo sozinho, não faz sentido não dividir. Seja terra, conhecimento, afeto, compartilhar é algo que faz muito sentido para mim. Entender a reforma agrária e a sua importância, ver como a distribuição das terras é um caminho tão coerente…

Me deito na rede, respiro tudo isso, bordo minha colcha, que leva o sorriso de Dona Creuza me dizendo que o espetáculo foi maravilhoso, que se a gente morasse mais perto ela não me daria sossego.

Em um abraço tão forte quanto da chegada eu me despeço. E assim cantamos a despedida desse potente encontro:

Minha gente vamo embora
Já era é hora de partir
Vamos ver quem tem agora
Outra história pra sorrir.
(Música do grupo rapsodos de mil fábulas)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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